Por Carla Manso
Era fim de tarde e eu estava na rua com uma regata branca, uma saia jeans preta de cintura de alta e uma sapatilha de oncinha. Recebi um SMS. Era o gatinho perguntando se poderíamos jantar duas horas depois. Eu estava longe de casa e me desesperei, afinal, eu ainda não podia aparecer na frente dele com um visual tão despojado. E agora? Guardei o celular, olhei para o céu e pedi ajuda a Deus. Foi aí que eu lembrei: a mala que levo para os trabalhos de modelo com kit de maquiagem, acessórios, cintas modeladoras, meia-calça e opções de sapatos, estava no porta-malas do meu carro. Yes! Confirmei o jantar e lá fui eu.

Troquei a sapatilha pelo meia-pata de oncinha. A bolinha de pérola deu lugar a um enorme brinco dourado de flor. Coloquei duas pulseiras, soltei os cabelos e caprichei na maquiagem, com olhos carregados e boca nude. Eu era uma nova mulher. O salto me deixou com uma postura mais elegante, os acessórios pareciam finos e o rosto pintado constatava que eu queria impressioná-lo. Modéstia à parte, eu consegui… E sem mexer no meu jeans.

Eu sempre me amarrei em jeans. Na adolescência, eu tinha cerca de 10 modelos diferentes de calças no meu armário. Elas eram confortáveis, práticas na hora de vestir e fáceis de combinar. Uma era cigarrete, a outra era boca de sino, a outra era desfiada nas coxas e tinha também a manchadinha. Todas tinham stretch. As cores variavam entre os tons do azul ou do preto. E combinavam muito bem com minhas camisetas de personagens da Loney Tunes e meu tênis branco.

Uma década se passou e eu continuo amarrada no jeans. Tenho cerca de 10 modelos diferentes de peças no meu armário. Uma calça de cintura alta e corte reto, uma saia desfiada, bem curtinha, e outra de cintura alta – que eu usava no dia do jantar –, um short de barra dobrada com bolso em tecido floral, um outro sem detalhes, mas todo cor-de-rosa, um bolero, um vestido tomara-que-caia com extensor de elástico nas costas e um sobretudo, entre outros. As cores e lavagens variam muito. Não faço mais questão do stretch. Elas combinam muito bem com blusinha de malha, regata básica, camisa de seda estampada e vestido evasê. Eu posso criar looks com rasteiras, sapatilhas, sandálias, saltos e botas.

O estilista Calvin Klein, em 2009, durante um passeio por Ipanema: os fãs do jeans agradecem sua iniciativa
Na década de 20, apenas os mais informais ousavam vestir jeans. Mas depois que Calvin Klein colocou o tecido na passarela pela primeira vez, na década de 70, a turma se encantou. Hoje tem tanto jeans na rua quanto chuchu na serra.
Mas é permanentemente proibido usar o primeiro jeans que você vê na frente. Confira algumas dicas e escolha um modelo que valorize sua silhueta:
- O jeans de cintura alta comprime o abdome e evita a formação do famoso “pneuzinho”;
- Calça de corte reto deixa o corpo da mulher de quadril largo, mais proporcional;
- A mulher Plus Size acinturada pode optar pelo cós de elástico para não ficar com tecido sobrando na região;
- Ao usar vestidos, saias e shorts bem curtinhos, escolha peças mais fechadas na parte de cima do corpo;
- E quem disse que gordinha não pode usar jeans branco, tem nariz de pinóquio!

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